segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Diferentes maneiras de contar e encantar





Apresentação de um texto! raramente conto uma história para meus alunos seguindo as palavras escritas no livro, gosto de contar conforme as imagens criando muitas situações diferentes, mudando o tom da voz, fazendo muitas mímicas usando todas as partes do corpo, outro dia mesmo contei uma história onde cheguei rolar no chão, eles amam, e depois refazem as cenas e normalmente no dia seguinte, ou até na semana seguinte pedem para contar novamente, quando não lembro o que foi que eu fiz enquanto contava eles dizem, "profe agora você tinha que deitar",por exemplo, é maravilhoso, porque na educação infantil a alfabetização não é pela escrita, o importante é desenvolver a imaginação.”
Relendo essa postagem de outubro de 2015 refleti sobre o quanto mudei as maneiras de contar uma simples história, maneira que pode transformar uma história conhecida em um momento mágico nunca vivido antes. Durante meu estágio a contação de histórias moveu a maioria das atividades e uma dos momentos mais marcantes para mim e com certeza que mais encantou as crianças foi  o dia da contação de história da “Branca de neve”, pois como colocado no planejamento eu fiz para eles as maça do amor vestida de bruxa, juntamente com a professora titular eles vieram e de longe observaram a “bruxa” na cozinha fazendo as maça, quando voltei para a sala dizendo que havia ido ao dentista fizeram relatos impressionantes e cheios de imaginação sobre o que haviam visto, usando frases como:  “ profe se alguém te oferecer maça não aceita que é coisa da bruxa”, “Diz que você está cheia e não tem fome”, “deve ser com veneno como as da branca de neve”. No final do dia o presente recebido pela turma novamente mexeu com a imaginação dos pequenos, Rafael dizia muito alto empurrando os colegas “não cheguem perto está envenenado, todos para trás”, após a leitura do recado da fada que as maças eram o símbolo da amizade e por isso eram coces como pirulito, alguns ainda ficaram em dúvida alegando que a carta também podia ser da bruxa, fui a primeira a provar e mostrar que eram encantadas, doces com o açúcar e deixam o dia mais lindo e mais feliz.
      A razão dos contos de fadas permanecerem até os dias atuais mesmo tendo sido reelaborado, “(...) é porque nos tocam de determinada forma e que provavelmente algo foi preservado de seu arranjo inicial. Caso contrário teriam perdido a força, o encanto e cairiam no esquecimento.” (CORSO & CORSO, 2006, p 28).
     Hoje as crianças participam mais do mundo real, do que de seu mundo infantil, o qual é de extrema necessidade para elas, ficando uma lacuna numa fase em que as crianças precisam viver suas fantasias e emoções, as histórias e os contos auxiliam em situações as quais enfrentam e que não conseguem compreender e nem explicar, estimulam a imaginação, ajudam no desenvolvimento da personalidade e da comunicação além, de fornecer condições para o seu desenvolvimento e aprendizagem.

CORSO, D. L. ; CORSO, M. Fadas no divã. Porto Alegre: Artmed, 2006.


sábado, 29 de dezembro de 2018

Fazer a diferença conhecendo e amando nossas crianças

Em minha postagem em novembro de 2015 relatei sobre a importância do abraço, em outras palavras a importância do afeto para a vida pessoal da criança, hoje percebo que muito além e ajudar a criança em relação a seus “problemas” pessoais é de suma importância para seu aprendizado conhecermos cada um em sua singularidade e através do amor mover barreiras.
Assim relatei:
    “Temos em nossa escolinha a terapia do abraço, todos os dias nos abraçamos desejando um bom dia a colega e dizendo que estamos felizes por estar e fazer parte dessa família que é nosso local de trabalho e onde passamos boa parte do tempo.
     Passei  a ter em minha turma um menino cuja mãe colocou na sua ficha de avaliação:" é muito agitado, não respeita regras, enfrenta o pai e a mãe faltando com o respeito, não possui limites", quando ele chegou no primeiro dia a mãe disse , " se precisar pose surrar pois é impossível de lidar", realmente ele não teve problemas com adaptação, entrou na sala e se fez de dono, já bateu em colega, mordeu..., por duas semanas tentamos ensinar sobre limites e respeito, usamos muitas técnicas, e nada deu resultado, quando decidi então fazer com ele a terapia do abraço, só que era várias vezes ao dia, quando ele fazia algo errado eu o abraçava e dizia que estava triste, mas que o amava, que ele era lindo e muito especial, quando ele estava tranquilo eu fazia a mesma coisa falando da minha alegria. Foi uma transformação radical no comportamento, hoje é um dos meninos mais tranquilos e carinhosos que tenho em sala.Aprendi assim que muitas vezes as crianças não possuem tal comportamento por ele não fazer parte da sua rotina.”
Em uma das minhas reflexões em meu estágio registrei sobre uma atividade realizada com as crianças, onde o objetivo era trabalhar autoestima e valorização, a atividade da “caixa de espelhos” foi uma atividade que me levou a ver e ser sensível as emoções de cada criança, e muitas vezes tenho refletido sobre o comportamento das crianças e os motivos que as levam a atitudes de mágoa, raiva, desprezo, e carência, mas fui tocada intimamente com as expressões e relatos recebidos durante a atividade.
     Procurando ressaltar muitas qualidades físicas, de comportamento e da importância que cada um possui na sua singularidade para nós professores, colegas, família e para Deus tentava descrever cada um sem dizer quem era a criança retratada, no momento em que eram convidados a conhecer a criança e viam sua imagem ficavam surpresos, alguns riam timidamente como se sentissem vergonha, conhecendo um pouco do histórico familiar é possível que nunca tivessem ouvido elogios dessa grandeza, quatro deles agradeceram e disseram “eu sabia que era eu”, como íntimos do relato feito, crianças que ouvem dos pais os elogios e estímulos necessários para uma formação de adultos confiantes e seguros, outro menino que sua reação me marcou , foi que ao ver sua imagem começou chorar, e eu perguntei “Você está feliz com quem você está vendo na caixa?” –sim, respondeu ele, e me abraçou. O fato mais triste e de maior reflexão foi a reação de um menino considerado “problema” não só para a escola, mas para a mãe que possui dificuldade com seu comportamento agressivo e sem limites, movido por uma família desestruturada com pai e tios com histórico criminal e de tráfico de drogas, no momento em que viu sua imagem disse que não havia gostado, e eu perguntei o porque não gostou de quem ele viu, e com lágrimas nos olhos me disse “É que eu não sou assim como você falou”, me segurando para não chorar e olhando firmemente para ele repeti todas as qualidades descritas anteriormente e afirmei “Nunca aceite que digam o contrário de você”, sei que talvez essa atividade não faça muita diferença em sua vida agora, mas acredito que um dia ele irá lembrar e fará uso das qualidades que possui e que passam despercebidas pela família que não coloca isso acima e tão pouco  como solução para os problemas que enfrentam.
     Segundo Adriana Aparecida dos Santos em um artigo na Revista Gestão Universitária, no artigo “A Influência da autoestima No Processo de ensino-Aprendizagem Na Educação Infantil” afirma que:
O processo ensino-aprendizagem acontece passo a passo, onde a criança é estimulada a brincar, a interagir com novos amigos e assim começa a ter um  olhar e compreender um ambiente cheio de pessoas diferentes, cada um com o seu modo de ser, de agir. O aluno se sente incentivado para realizar as atividades prescritas e através da ludicidade este processo se torne mais amplo e concreto.
 Segundo  Cavalcanti (2003) a autoestima e a aprendizagem se relaciona de maneira direta uma vez que as dificuldades do aprender podem provocar uma baixa na autoestima e os problemas de baixa valorização pessoal culminam para desajustes e dificuldades de aprendizagem.
Entende-se que a criança ao ter o primeiro contato com a escola, necessita de um olhar que perceba a transposição de casa para a escola podendo influenciar no seu processo de aprendizagem”.
     Desta forma e perante as experiências vividas no cotidiano escolar concluo que é de suma importância conhecer as crianças e seu histórico familiar e cultural, para que seja possível desenvolver estratégias que possam auxiliá-las na sua aprendizagem, com uma troca de apoio entre família e escola, onde um olhar atento do professor pode mudar a história e o futuro de um ser humano vulnerável ao mundo adulto e seus problemas.


O lúdico na infância

Nesta postagem  no blog de 2015 relato que não possuo lembranças da minha alfabetização e sim do tempo em que eu brincava, hoje após o passar de alguns semestres percebi o quanto fui alfabetizada em quanto brincava, sem ter esse entendimento não sabia da grandeza que o brincar possui no desenvolvimento e aprendizado da criança como um todo.
Assim foi o relato no blog:
    “Quando falo em brincar sou remetida as lembranças da minha infância, como faço parte de uma família bem generosa em número de filhos, somos em dez, nunca me faltou companhia e incentivo na hora de brincar, as vezes fico triste quando penso que não tenho lembranças da minha alfabetização, mas sobre brincar e ser criança livre tenho muitas, acredito que seja por isso que não tenho dificuldade em continuar brincando e por isso amar e me identificar tanto com a educação infantil.
    Os estudos nos mostram a importância do lúdico na infância, é por meio das brincadeiras que a criança satisfaz, em grande parte, seus interesses, necessidades e desejos particulares, esta é a maneira mais eficaz de envolver o aluno nas atividades, pois a brincadeira é sua forma de trabalhar, refletir e descobrir o mundo.”
Observando meus alunos enquanto brincam é possível além de ensinar conhecer cada um e identificar diferentes níveis no aprendizado, é brincando que oportunizamos relações sociais e o desenvolvimento cognitivo, através do brincar a criança explora sem medo de ser repreendida se errar, pois não existe erro enquanto brincamos. Adquirir noções de forma e espaço se torna algo prazeroso por não ser nomeado como conteúdo assim com identificar cores, tamanhos e formas.
“Ao brincar, a criança assume papéis e aceita as regras próprias da brincadeira, executando, imaginariamente, tarefas para as quais ainda não está apta ou não sente como agradáveis na realidade.”


Fundamentos da Alfabetização


Esta postagem que segue  fiz em dezembro de 2015, e o que posso dizer é que a prática em sala de aula acompanhada de uma boa reflexão nos ensina as várias formas de alfabetização nas diferentes fases do desenvolvimento da criança.
 “  A interdisciplina Fundamentos da Alfabetização me deu mais visão com relação a prática como alfabetizadora,  o que aprendi e estamos aprendendo abriu novos horizontes. Com relação a aprendizagem  através do lúdico, que se pode sim, por meio de brincadeiras, transmitir conhecimentos a criança, pude ver que a alfabetização  na realidade, começa bem antes da criança frequentar uma escola de ensino fundamental, é brincando que se aprende.
   Como educadores temos o dever de trabalhar para que a alfabetização ocorra com alegria e prazer e assim tornar possível e mais fácil a edificação integral da criança.”
O lúdico e todas suas possíveis ferramentas ensinam e encantam na educação infantil, é possível mostrar coisas novas as crianças de forma agradável, uma dessas formas foi ao trabalhar alimentação saudável no meu estágio levando as crianças a consumirem frutas nunca provadas antes, como relatei em minha reflexão na semana do dia 08 a 11 de outubro “... As crianças dessa faixa etária podem apresentar uma relutância em consumir alimentos novos ou que não fazem parte de sua rotina, para que esse comportamento se modifique, é necessário que a criança prove o alimento em diferentes momentos e diversos tipos de preparação, mesmo que em quantidades mínimas. Somente dessa forma ela conhecerá o sabor do alimento e estabelecerá, assim, seu padrão de aceitação. Podemos observar que as crianças, em sua maioria, não comem frutas, uma das atividades planejadas foi a degustação de frutas, o espetinho de frutas e o sanduíche natural, os quais eram compostos por frutas, legumes e verduras que não temos aceso ao cardápio escolar, o kiwi por exemplo foi uma fruta que ninguém conhecia, mas que toda turma  provou e só dois não gostaram e não quiseram repetir, outra observação de valia foi o fato de que alguns eram convictos em dizer “eu não como e não gosto”, mas após uma conversa e muita imaginação provaram os alimentos, a maioria foi para casa contando que havia comido e tinham gostado, uma mãe na semana seguinte comentou ”em casa ele continua não comendo, porque só o da creche que é bom”, acredito que não é o da escola que é bom e sim a forma que o alimento foi apresentado que faz a diferença na aceitação.
Não somente com a alimentação é assim, mas com todo o aprendizado, ele se dá com melhor ou menor resultado dependendo da forma que é apresentado para as crianças, nós professores podemos fazer da matemática ou da língua portuguesa uma disciplina boa ou não para os nossos alunos dependendo do método que usarmos para fazer essa intermediação.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Autonomia na educação infantil
















Essa primeira postagem é do meu blog de dezembro de 2015, Administração simbólica da infância, um tema que trabalhei muito no meu estágio, a autonomia, como cita a postagem:
A autonomia das crianças é defendida, e ao mesmo tempo elas convivem com a “administração simbólica da infância”, que entendo como sendo a restrição do espaço e tempo que coloca as crianças mais tempo sobre o controle direto ou indireto dos adultos, a criança fica situada entre uma autonomia por privação e autonomia por obrigação com condições de acesso e usufruto de direitos sociais. Quem faz isso com as crianças? nós mesmos, todos os dias quando decidimos coisas simples e que nem nos damos conta que anulamos muitas vezes as vontades e o direito das crianças, é de nosso dever tomarmos decisões por elas e com elas quando as mesmas ainda não estão preparadas para tal atitude, como por exemplo: se uma criança que ainda não possui noção do perigo, não é por que ela quer pular da janela vou deixa-lá”
        Mesmo atuando na educação infantil há cinco anos e sempre trabalhando autonomia com as crianças, no meu estágio foi a primeira vez que mudei de forma significativa o meu comportamento e o das crianças para fazer a diferença na autonomia individual de cada um, conforme relatei em minha reflexão semanal: “Dando continuidade ao projeto esta semana foi direcionada a importância da água, aproveitando para trabalhar cores e tamanhos, o que me levou a uma reflexão mais significativa foi  trabalhar a autonomia das crianças no momento de realizar algumas atividades, muitas vezes simples para nós adultos, mas de grande impacto para os pequenos.  
       Algumas mudanças simples como: cada um guarda seu travesseiro, alcança a coberta para a profe, calça seu calçado e nesta semana passaram a se servir e tomar água sozinhos, com copos identificados com um adesivo escolhido por eles e com seu nome, devo confessar que achei que não conseguiriam saber qual era seu copo por terem escolhidos adesivos muito parecidos, mas além de saberem qual o seu sabem dizer qual é o do colega.       Muitas vezes consideramos as crianças tão pequenas e frágeis e esquecemos de avaliar o fato de que elas possam realizar suas próprias tarefas. É importante ressaltar que essa função engloba a memória de trabalho, o raciocínio, a capacidade de resolução de problemas e a flexibilidade de tarefas, bem como na construção da personalidade.
          A autonomia não está somente relacionada à habilidade de fazer as coisas por si, mas também está diretamente ligada ao desenvolvimento da consciência moral, o que possibilita que façam suas próprias escolhas, tomem Segundo Piaget, nos primeiros anos de vida as crianças conferem legitimidade às regras e valores determinados pelos adultos, já que elas mantêm vínculos afetivos com eles, especialmente pais e educadores.  Por isso, durante toda a Educação Infantil é importante encorajar o aluno a realizar pequenas ações individuais e estimulá-lo a se socializar com os colegas.
      É muito importante explicar todas as ações de cuidado e valorizar quando a criança expuser suas preferências, decisões e busquem seus sonhos e desejos.Dessa forma, é possível proporcionar momentos importantes para o desenvolvimento da autonomia e da socialização e despertar nas crianças a consciência de que todos nós temos que exercer o nosso papel de cidadãos na sociedade, começando em casa e na escola.”


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Construção de conhecimento e EJA

     
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      Marta Kohl aborda diferentes questões sobre a construção de conhecimento dos alunos do EJA, onde é necessário refletir sobre a diversidade cultural formada por alunos de diferente faixa etária. Em termos de educação e métodos pedagógicos a diversidade, a especificidade e o conhecimento prévio de cada um é um instrumento que precisa ser explorado e respeitado, como relata Marta:  “Traz consigo uma história mais longa (e provavelmente mais complexa) de experiências, conhecimentos acumulados e reflexões sobre o mundo externo, sobre si mesmo e sobre as outras pessoas”.
       A educação de Jovens e Adultos representa uma possibilidade que pode contribuir para efetivar um caminho e desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades. Planejar esse processo é uma grande responsabilidade social e educacional, cabendo ao professor no seu papel de mediar o conhecimento, ter uma base sólida de formação.
      O principal objetivo da Educação de Jovens e Adultos é auxiliar cada individuo a tornarem-se aquilo que ele tem capacidade para ser. Também necessário que a escola desenvolva no aluno suas capacidades, em função de novos saberes que se produzem e que demande um novo tipo de profissional, que o educando obtenha uma formação indispensável para o exercício da cidadania, como diz Vygotsky “É na troca com outros sujeitos e consigo mesmo que seus conhecimentos, papéis e funções sociais vão sendo internalizados, possibilitando a construção de novos conhecimentos e o desenvolvimento da personalidade e da consciência”.
Referência:
https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2406821/mod_resource/content/1/aop937.pdf
https://www.fortaleza.ce.gov.br/images/Educacao/Canal-Geral-da-Prefeitura.jpg



domingo, 1 de julho de 2018

Maquinaria escolar

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No artigo Maquinaria escolar Varela cita: “A universidade e a pretendida eternidade da escola são pouco mais do que ilusão” e nos leva a perceber que a escola é não é algo que sempre existiu, mas é uma construção histórica e inquestionável. A escola como um lugar sociável e de passagem obrigatória para as crianças é uma condição recente.
Conforme pensamento dos autores são cinco instâncias fundamentais para o aparecimento da escola nacional; a definição de um estatuto da infância; a emergência em se ter um espaço específico destinado a educação de crianças; o aparecimento de um corpo de especialistas da infância dotados de tecnologias específicas e de elaborados códigos teóricos; a destruição de outros modos de educação e a instituição propriamente dita da escola. Philippe Ariès, citado pelos autores no texto, afirma que a infância tal como hoje a percebemos, começa-se a configurar fundamentalmente a partir do século XVI e explica o estatuto de infância, relacionando a constituição da infância com as classes sociais, com a emergência da família moderna, e com uma série de práticas educativas, concluindo assim que como a constituição da infância de qualidade aparece estreitamente vinculada à família, praticamente desde seus começos, a da infância necessitada foi em seus princípios o resultado de um programa de intervenção direta do governo, criando as assim as escolas comuns em seu funcionamento sendo um espaço que serve como maquinaria de transformação da juventude, um lugar que muda conforme a qualidade da natureza dos educandos e reformandos que definem as disciplinas, flexibilizam os espaços, enfim, definem o destino dos estudantes, não levando em conta a necessidade da diferença de conteúdos e atividades, mas, também, pela dureza do enclausuramento, o rigor dos castigos, o submetimento às ordens, etc.
           Sobre o aparecimento de um corpo de especialistas da infância dotados de tecnologias específicas e de "elaborados" códigos teóricos, os autores acreditam que são nos colégios que se ensaiarão as formas concretas de transmissão de conhecimentos e de modelação de comportamentos que ao longo de pelo menos dois séculos suporão a aquisição de todo um acúmulo de saberes codificados resultando assim no aparecimento da pedagogia e de seus especialistas que são modelo de mestre, onde além de possuir conhecimentos, só ele tem as chaves de uma correta interpretação da infância assim como do programa que os alunos teriam de seguir para adquirir os comportamentos e os princípios que correspondem à sua idade.  Os novos especialistas recebem agora uma formação controlada pelo Estado e ministrada em instituições especiais, as Escolas Normais. O objetivo primordial é que desempenhem funções de acordo com a nova sociedade em vias de industrialização, em que a posição do professor, as características institucionais da escola obrigatória, os interesses do Estado, os métodos e técnicas de transmissão do saber e o próprio saber escolar contribuam para modelar um novo tipo de indivíduo, desclassificado em parte, dividido, individualizado.
As autores também falam da destruição de outros modos de educação, da destruição e desvalorização de formas de vida diferentes e relativamente autônomas com o aparecimento dos colégios de jesuítas inaugurando uma nova forma de socialização que rompe a relação existente entre aprendizagem e formação, e onde o saber é propriedade pessoal do professor, enfim, o colégio converte-se num lugar no qual se ensina e se aprende um amontoado de banalidades que nada tem haver com a prática. Ele não diz qual delas é a mais viável, apenas apresenta as suas formas.
Para finalizar nos falam da institucionalização propriamente dita da escola, tratam-na como um dispositivo que têm por finalidade educar ao menino trabalhador a obedecer, inculcar-lhe a virtude da obediência e a submissão à autoridade e à cultura legitima inculcar-lhes que o tempo é ouro e o trabalho disciplina e que para serem homens e mulheres de princípios e proveito, têm de renunciar a seus hábitos de classe, etc. Os autores concordam que as quatro questões anteriormente tratadas reorganizam-se, consolidam-se e adquirem novas dimensões com a institucionalização da escola O professor, ao se sentir superior às massas ignorantes, não admitirá sua forma de vida educativa, resultando assim, na incapacidade de se produzir em conseqüência uma relação de igualdade, de entendimento e reforço entre família e escola.
Os autores tendem a todo o momento dizer que a educação é uma luta política e de dominação, onde as classes mais ricas tendem a impor uma dominação disfarçada aos trabalhadores, dominando eles desde a infância, através da escola, que tinha como objetivo a transformação das crianças em futuros trabalhadores assentando-se numa desculpa velada de um pretendido direito: o direito de todos à educação.

 Referência:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMxZ0X1bu-sbnFgLBgrsPKlb0kSUrhRGUfLuU0Umdlkn0evFXIMOpd2lvYLqdDWwl5JbDMSi1tI7CtIcu2KGtiYbBMY_EwU4CeTxBb_n-9L5Na90pvEcy4q-ioTHwVoK3B_E4GMsWfOg0/s320/la+maquinaria+escolar.jpg